Dedicado aos grandes Mestres da Música e considerados imortais pela arte ,Tem muitas coisas para escrever sobre a música. Não vou falar direto como surgiu, mas sim aqueles que fizeram história.Muitos músicos nos seus repertórios sempre apresentam uma canção desses músicos imortais que não conseguimos esquecer, por que alguns foram bons e continuam sendo bons ou melhor São realmente inesquecíveis.



Josef Pieper(Trad.: Sivar Hoepner Ferreira, de "Über die Musik" - fala em uma sessão de Bach - in Nur der Liebende singt, Schwabenvlg., 1988)

O fato de que quem filosofa - sobretudo quando se ocupa da dinâmica da formação e da realização do ser humano - dedique especial atenção a meditar sobre a essência da música, não é casual nem movido por "interesses musicais" pessoais. Essa atenção especial remete, antes, a uma grande tradição que remonta quase à origem dos tempos, a Platão, a Pitágoras e às doutrinas de sabedoria do Extremo Oriente.

E isto não se deve somente ao fato de a filosofia ter por objeto coisas "espantosas" (para as quais, como afirmam Aristóteles e Tomás de Aquino, deve especificamente voltar-se quem filosofa) - não é somente porque a música é mirandum, uma das coisas mais maravilhosas e misteriosas do mundo. Não é só, tampouco, pelo fato de que "musicar" é uma atividade da qual se poderia dizer que é um oculto filosofar - um Exercitium Metaphysices Occultum - da alma que, sem saber, filosofava, como diz Schopenhauer na sua profunda discussão para o estabelecimento de uma metafísica da música.

O que a música sempre traz - e este é o fato mais decisivo - ao campo de visão do filósofo é a sua proximidade da existência humana, uma característica específica que torna a música necessariamente objeto essencial para todos os que refletem sobre a realização humana.

A pergunta que especialmente fascina o filósofo que medita sobre a essência da música, é: o que propriamente percebemos quando ouvimos música? Pois, sem dúvida, trata-se de mais (e de outra coisa) que os sons resultantes do roçar as cordas do violino, soprar a flauta ou percutir o teclado – isto tudo ouvem também os mais insensíveis. O que é, então, o que propriamente percebemos, quando ouvimos música de forma adequada?

Para as outras artes essa mesma indagação propõe-se mais facilmente – ainda que a pergunta: "O que é que propriamente vemos quando contemplamos o Rasenstück de Dürer?" também não seja fácil de responder, pois certamente não é o céspede que se apresenta à vista, na natureza ou numa foto – não é este "objeto" que nós propriamente vemos, quando observamos um quadro de forma adequada. O que realmente percebemos quando ouvimos um poema, quando apreendemos a poesia de um poema? Certamente é mais (e é outra coisa) do que o que foi "objetivamente" proferido (isto tem sido identificado na poética como uma impureza, mas é uma "impureza" sem dúvida necessária).

Músicos Imortais

Músicos Imortais
deuses imortais em suas artes , Aquilo cuja lembrança permanece na memória da humanidade, glória imortal, Sem fim e Que se admira através dos séculos.

Luiz Gonzaga














Luiz Gonzaga do Nascimento[1] (13 de dezembro de 1912 — Recife, 2 de agosto de 1989) foi um compositor popular brasileiro, conhecido como o "rei do baião".

Nasceu em uma fazenda chamada Caiçara, no sopé da Serra de Araripe, na zona rural de Exu, no sertão de Pernambuco. O lugar seria revivido anos mais tarde em "Pé de Serra", uma de suas primeiras composições. Seu pai, Januário, trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão (também consertava o instrumento). Foi com ele que Luiz Gonzaga aprendeu a tocá-la. Não era nem adolescente ainda, quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai. Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sul do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi o baião. A canção emblemática de sua carreira foi Asa Branca, que compôs em 1947, em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira.

Aos dezoito anos, ele se apaixonou por Nazarena, uma moça da região e, repelido pelo pai dela, o coronel Raimundo Deolindo, ameaçou-o de morte. Januário e Santana lhe deram uma surra por isso, revoltado, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército em Crato, Ceará. A partir dali, durante nove anos ele viajou por vários estados brasileiros, como soldado. Em Juiz de Fora-MG, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como sanfoneiro. Dele, recebeu importantes lições musicais.

Em 1939, deu baixa do Exército no Rio de Janeiro, decidido a se dedicar à música. Na então capital do Brasil, começou por tocar na zona do meretrício. No início da carreira, apenas solava acordeão (instrumentista), tendo choros, sambas, fox e outros gêneros da época. Seu repertório era composto basicamente de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso, em programas de calouros. Até que, no programa de Ary Barroso, ele foi aplaudido executando Vira e Mexe (A primeira música que gravou em 78 rpm; disco de 78 rotações por minuto), um tema de sabor regional, de sua autoria. Veio daí a sua primeira contratação, pela Rádio Nacional.

Em 11 de abril de 1945, Luiz Gonzaga gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor: a mazurca Dança Mariquinha em parceria com Saulo Augusto Silveira Oliveira.

Também em 1945, uma cantora de coro chamada Odaléia Guedes deu à luz um menino, no Rio. Luiz Gonzaga tinha um caso com a moça - iniciado provavelmente quando ela já estava grávida - e assumiu a paternidade do rebento, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior. Gonzaguinha foi criado pelos seus padrinhos, com a assistência financeira do artista.

Em 1948, casou-se com a pernambucana Helena Cavalcanti, professora que tinha se tornado sua secretária particular. O casal viveu junto até perto do fim da vida de "Lua". Não teve filhos, já que ele era estéril.

Gonzaga sofria de osteoporose. Morreu vítima de parada cárdio-respiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana, seu corpo foi velado em Juazeiro do Norte e posteriormente sepultado em seu município natal. Sua música mais famosa é Asa Branca

Luiz Gonzaga Jr. (Gonzaguinha)














Gonzaguinha é filho adotivo do conhecido cantor e compositor, Luiz Gonzaga e nasceu no dia 22 de setembro de 1945, no Rio de Janeiro. Herdou do pai adotivo o nome, Luiz Gonzaga Nascimento Filho e, como o pai, tinha o talento para a música. Sua mãe, Odiléia, era uma cantora e dançarina que morreu de tuberculose ainda muito moça, com apenas 22 anos de idade, deixando Gonzaguinha órfão aos dois anos.

Em função da dificuldade de seu pai para criá-lo, foi entregue a seus padrinhos, Seo Xavier e Dona Dina. Sua infância foi passada no morro de São Carlos, no bairro do Estácio onde Gonzaguinha conviveu com a miséria, a falta de infra-estrutura e todas as dificuldades que existem em uma favela. Aos 16 anos foi morar com o pai para poder dar continuidade aos seus estudos, já que seus padrinhos não tinham condições financeiras para isso. Mas não foi fácil. Teve desavenças com a mulher de seu pai e, por causa disso, foi para um colégio interno. Seus estudos o levaram à Faculdade de Ciências Econômicas Cândido Mendes, no Rio de Janeiro.

Durante seu período universitário entrou em contato com outros músicos novos como ele. Fez parte do grupo MAU (Movimento Artístico Universitário) junto com Ivan Lins, Dominguinhos, Aldir Blanc e César Costa Filho.

Participava de festivais e já começava a despontar pelas suas letras sempre com forte teor social. Aliás, essa era uma marca em sua carreira. Suas letras eram provocativas e, em virtude do regime militar, estava sempre tendo que driblar a censura. Em 73 se apresentou no programa de Flávio Cavalcante e causou grande espanto pelo teor de suas música. Gonzaguinha era agressivo e irônico. Recebeu uma advertência da censura e muitas críticas, mas teve um lado positivo. Seu compacto que estava encalhado nas prateleiras foi rapidamente vendido. Começou aí a carreira de Gonzaguinha. Era um sucesso na Rádio Tamoio e logo veio a gravar seu primeiro long-play.

Com o passar do tempo percebeu que suas letras não alcançavam o público que ele queria tocar. Assim deu uma guinada na carreira e começou a ser mais leve. De certa forma, os tempos haviam mudado e o discurso foi se adaptando às circunstâncias.

No ano de 1976 lançou o disco “ Começaria Tudo Outra Vez” onde conseguiu o sucesso entre as massas. A partir daí se consolidou como compositor sendo gravado por cantoras como Elis Regina, Simone e Maria Bethânia. No dia 9 de abril de 1991 Gonzaguinha morre em um acidente de carro em uma estrada do sul do Paraná. E o Brasil perdia mais um grande compositor...

George Harrison












George Harrison, (Liverpool, 25 de Fevereiro de 1943 — Los Angeles, 29 de Novembro de 2001) foi um músico britânico, famoso por ter sido o guitarrista dos Beatles. Foi também produtor de cinema, cantou e compôs.

George Harrison nasceu em 25 de fevereiro de 1943 em Liverpool, Inglaterra. Harold, o pai, era motorista de ônibus e membro ativo do sindicato de sua categoria e Louise, a mãe, era dona de casa. Sua família tinha origem irlandesa já que seus avós maternos vieram de Wexford. Durante sua infância ele viveu em uma casa localizada na 12 Arnold Grove, no bairro de Wavertree, Liverpool. Em 1950 a família se mudou para 25 Upton Green, em Speke. George tinha ainda dois irmãos e uma irmã (Peter, Harry e Louise).

Aos 11 anos, após passar em um exame, George começou a freqüentar a Liverpool Institute for Boys (atual Liverpool Institute for Performing Arts), onde ele conheceu Paul McCartney. Harrison e McCartney não só estudavam na mesma a escola como também moravam no mesmo bairro, em Speke, e freqüentemente pegavam o mesmo ônibus para ir à escola.

George comprou sua primeira guitarra aos 12 anos, uma Egmond, por 3 libras e 10 shillings. Pouco depois comprou sua primeira guitarra decente, uma Hofner President e formou um grupo de skiffle chamado The Rebels com seu irmão Peter e um amigo, Arthur Kelly. [1]. Quando Paul McCartney descobriu que George tocava guitarra, convidou-o para ver a banda da qual ele fazia parte. Em 1958, Paul apresentou George a John Lennon que acabou o aceitando na banda Quarrymen, que se tornaria posteriormente The Beatles.

No começo dos Beatles, era visto pelo outros membros do grupo como um garoto por ser o mais jovem dentre eles.[2]

Ele foi o primeiro beatle a ir aos Estados Unidos quando visitou sua irmã Louise em Benton, Illinois, em setembro de 1963. Em 1964, ele voltaria aos Estados Unidos com os Beatles, época em que eles se apresentaram no programa de TV chamado Ed Sullivan Show.[3] Durante esta visita aos Estados Unidos, George Harrison ganhou uma guitarra modelo "360/12" da Companhia Rickenbacker; esta guitarra de 12 cordas fez parte de várias solos de George por volta de 1965.

Durante o auge da Beatlemania, George ficou conhecido como beatle quieto ("quiet Beatle"), devido a sua maneira introspectiva e tendência a falar pouco durante as entrevistas. Apesar da imagem de "beatle tranqüilo", a maioria dos amigos, como Eric Idle, membro do Monty Python, asseguram que na intimidade ele era muito falante, contradizendo a imagem que a imprensa tinha a seu respeito.[4]

Harrison escreveu sua primeira canção em 1963, "Don't Bother Me", lançada no segundo álbum dos Beatles. Neste álbum, ele conseguiu mais sucesso interpretando a canção "Roll Over Beethoven" de Chuck Berry, do que com sua própria composição. Embora tenha escrito uma canção para o álbum Beatles for Sale, ela não foi usada e George acabou interpretando outro cover, "Everybody's Trying to Be my Babe", de Carl Perkins. Ainda nesta fase, ele cantou como líder vocal composições de Lennon/McCartney como por exemplo "Chains", "Do You Want to Know a Secret" (ambas do álbum Please Please Me) e "I'm Happy Just to Dance with You" (do álbum A Hard Day's Night).

Foi só a partir de 1965 que George Harrison começou a contribuir freqüentemente com composições para o grupo. No álbum Help!, ele lançou duas composições próprias: "I Need You" e "You Like Me Too Much".

Um importante marco em sua carreira aconteceu durante a tournê americana de 1965, quando David Crosby, do grupo The Byrds, introduziu George à cultura indiana através do trabalho do músico Ravi Shankar[5]. George ficou fascinado pelo som indiano e se tornou um dos maiores responsáveis pela popularização da música indiana nos anos 60. Após comprar um sitar, ele introduziu pela primeira vez na música pop um instrumento indiano, na canção "Nowergian Wood" do álbum Rubber Soul. Após essa experiência, George escreveu algumas canções que utilizaram outros instrumentos indianos como a tabla e a cítara. Entre essas canções destacam-se "Love you too", do álbum Revolver, de 1966 e "Within you without you", do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, de 1967. Ainda em 1967, ele foi responsável pela inclusão de Ravi Shankar no Festival Pop de Monterey.

Após a separação do grupo, em 1970, ofuscado por anos por John Lennon e Paul McCartney, George Harrison lançou grande parte do material que havía acumulado e inicou sua carreira solo. O primeiro álbum de George foi um sucesso de crítica e de público. All Things Must Pass, de 1970, é considerado por muitos como o melhor disco de um ex-beatle e um dos melhores discos da história. O álbum era triplo (quando lançado em vinil), o primeiro álbum triplo da história do rock (que em CD, se tornou duplo). O álbum atingiu o primeiro posto das paradas de sucesso britânicas e norte-americana, incluía sucessos como as músicas My Sweet Lord, Isn't a pity e What is life. Anos mais tarde a canção My sweet Lord, presente no álbum, lhe trouxe problemas devido a uma acusação de violação de direitos autorais. A canção era bem parecida com "He's so f ine", do grupo The Chiffons. George negou a acusação, mas em 1976, foi condenado por plágio. Nos anos 90, o antigo empresário dos Beatles, Allen Klein, entrou na justiça contra Harrison após comprar os direitos autorais de "He's so fine". Quando o álbum foi remasterizado em CD, a música ganhou uma versão nova chamada "My Sweet Lord 2000".

Em 1971, pela primeira vez na história do rock, George Harrison organizou um show humanitário. O show aconteceu em 1 de agosto no Madison Square Garden, de Nova York, reuniu cerca de 40.000 pessoas e contou com a participação de Eric Clapton, Ravi Shankar, Bob Dylan, Ringo Starr, Leon Russell, Billy Preston e o grupo Badfinger. Os outros ex-Beatles também foram chamados mas só Ringo Starr compareceu. Paul alegou ser muito cedo para reunir a banda novamente e John não compareceu porque o convite não se estendeu a sua esposa, Yoko Ono. O The Concert For Bangladesh foi feito com a finalidade de arrecadar fundos para refugiados de Bangladesh. Em 2005 o álbum foi relançado em CD e em DVD e as arrecadações foram doadas à Unicef.

Em 1980, ele escreveu uma autobiografia intitulada I Me Mine, onde falava pouco dos Beatles e mais de seus hobbies preferidos: corridas de Fórmula 1 e jardinagem. O livro inclui também letras de suas músicas e fotos raras. John Lennon, antes de morrer, declarou que ficou magoado com George por ter sido pouco mencionado em sua biografia.

Após o assassinato de John Lennon, em 1980, escreveu a canção "All those years ago" em sua homenagem e chamou Paul McCartney, Linda McCartney e Ringo Starr para participarem da gravação. A canção foi lançada no álbum de 1981, Somewhere in England e se tornou um sucesso, atingindo o segundo lugar nos Estados Unidos. Mas o álbum marcou um dos piores momentos da sua carreira. A Warner Bros. Records rejeitou quatro músicas ("Tears of the World", "Sat Singing", "Lay His Head" e "Flying Hour").

No primeiro ano da nova década viria a luz o segundo álbum do Traveling Wilburys, Traveling Wilburys Vol. 3, apesar da morte de Roy Orbison em 1988. Como substituto, o grupo havía pensado em Del Shannon, mas em fevereiro de 1990 o músico se suicidou.
George Harrison casou-se com a modelo Pattie Boyd em 21 de janeiro de 1966, tendo Paul McCartney como padrinho. Eles se conheceram em 1964, durante as filmagens do filme A Hard Day's Night(Os Reis do Iê-Iê-Iê)(BR). Muitos acreditavam que a música "Something" fosse escrita em homenagem a Pattie mas ele negou dizendo que a música foi feita inspirada em uma música de Ray Charles. No final dos anos 60, Eric Clapton apaixonou-se por Pattie e para ela compôs "Layla". O casamento com Pattie terminou em 1973, e ela acabou casando com Eric posteriormente. Apesar da situação, George e Eric continuaram grandes amigos até a morte de Harrison. E se chamavam de "husbands in law", uma espécie de "maridos-cunhados".

Harrison casou-se pela segunda vez com Olivia Trinidad Arias (nascida em 18 de maio de 1948), em 1978. A cerimônia aconteceu em 2 de setembro na casa de Harrison, tendo o cantor Joe Brown como padrinho. George conheceu Olivia Trindade Aires em 1974, quando ela era secretária da A&M Records. Em 1 de agosto de 1978, um mês antes do casamento, nasceu o filho deles, Dhani Harrison, aliás o único filho dele.


Em 1991, George iniciou uma turnê pelo Japão, acompanhado por Eric Clapton. O álbum com a turnê, Live in Japan, foi lançado em 1992. Foi seu segundo álbum ao vivo lançado e a primeira turnê feita em sua carreira solo desde a de 1974. Nesta turnê, diferentemente da de 74, foi incluída no repertório algumas composições clássicas da época dos Beatles além das da carreira solo.
O primeiro sinal de câncer de George apareceu na década de 90, no pulmão. Ele enfrentou várias cirurgias para eliminá-lo. Em 2001, o câncer reapareceu em metástase. Apesar dos tratamentos agressivos, logo se descobriu que era terminal, decidindo de imediato passar seus últimos dias em família e trabalhar em alguns projetos para posteriormente serem terminados por sua viúva e filho.

George faleceu dia 29 de novembro de 2001 em Los Angeles aos 58 anos de idade. Seu corpo foi cremado e alguns afirmam que suas cinzas jogadas no Rio Ganges embora a família não tenha oficialmente confirmado. Sua morte foi devido ao câncer que havia atingido ao cérebro. Após a sua morte, sua familia emitiu um comunicado: "Abandonou este mundo como viveu: consciente de Deus, sem medo da morte e em paz, rodeado de familiares e amigos". Harrison costumava dizer: "Tudo pode esperar, menos a busca de Deus".[7]

O álbum póstumo de George Harrison, Brainwashed, foi completado por seu filho Dhani Harrison e Jeff Lynne e lançado em 18 de novembro de 2002, recebendo positivas críticas e alcançando o posto 18 nas paradas de álbuns da Billboard. Dentre as canções do álbum se destacam o promocional "Stuck Inside a Cloud" e "Any Road" que alcançou o posto 37 nas paradas de sucesso britânicas.

Exatamente um ano após sua morte, Olívia Harrison, sua mulher, e Eric Clapton, seu amigo, organizaram o Concert for George, no Royal Albert Hall, em Londres. O concerto contou com a presença do filho de George, Dhani, além de grandes amigos como Ravi Shankar, Tom Petty, Jeff Lynne, Billy Preston, Jim Capaldi, Paul McCartney, Ringo Starr, Jools Holland, Albert Lee, Sam Brown, Gary Brooker, Joe Brown, Ray Cooper, integrantes do Monty Python e Tom Hanks.

John Denver












John Denver (31 de dezembro de 1943 - 12 de outubro de 1997), nascido Henry John Deutschendorf, Jr., foi um cantor, compositor, músico e ator americano. Compunha e cantava canções do gênero musical conhecido como "country music". Denver morreu aos 53 anos na região costeira de Monterey, na Califórnia, enquanto pilotava um avião experimental, feito de fibra de vidro.

John Denver é mais conhecido por sua balada "Annie's Song", mas grandes sucessos foram também as canções Take me home, country roads och Come and let me look in your eyes. Ficou também famoso por outras paixões, além da música: aviões, Natureza e mulheres.

John Denver nasceu em Roswell, Novo México. Seu pai, Henry Deutschendorf, foi um oficial da Força Aérea americana e instrutor de vôo. Nasceu quando seu pai estava em missão na Base de Roswell e cresceu em várias bases aéreas do sudoeste americano. Freqüentou o curso secundário em Fort Worth, Texas, e mais tarde a escola Texas Tech.

Sua introdução à música ocorreu aos 12 anos, quando sua avó lhe presenteou um violão acústico Gibson. Começou tocando em clubes noturnos enquanto cursava a Universidade, de onde saiu em 1964, ao mudar-se para Los Angeles. Lá formou o Chad Mitchell Trio, que abandonou quando era conhecido como Denver, Boise and Johnson para seguir carreira solo a partir de 1969.

No ano seguinte, lançaria seu LP de estréia, Rhymes and Reasons. Os quatro álbuns seguintes: Whose Garden Was This, Take Me to Tomorrow, e Poems, Prayers and Promises fizeram dele um dos artistas mais populares nos Estados Unidos.

Denver desenvolveu carreira de sucesso como cantor e compositor, e uma trajetória menor como ator. Em 1994, escreveu uma autobiografia, chamada Take Me Home. Em 1970, mudou-se para Aspen, Colorado, logo após seu primeiro sucesso: "Leaving on a Jet Plane".

John Denver não foi reconhecido apenas por sua qualidade como músico, mas também por seu trabalho humanitário, em projetos de conservação de fauna, no Alasca, assim como em iniciativas contra a fome na África.

John Denver teve duas paixões em sua vida: cantar e voar. Piloto experiente, possuiu e pilotou seus próprios aviões, entre os quais modelos Lear Jet, mas também outros, com os quais praticava vôos acrobáticos. E foi justamente a paixão pelo vôo que lhe tirou a vida nas águas do mar da Califórnia em 12 de outubro de 1997, quando pilotava seu avião em fibra de vidro, marca Rutan, modelo Long-EZ, que havia adquirido em 12 de outubro do mesmo ano.

A imprensa publicou versões inconsistentes e contraditórias para explicar a causa do acidente, que na verdade resultou da conjugação de muitos fatores, como costuma acontecer na maioria dos acidentes com aviões.

Canções famosas
"Take Me Home, Country Roads" (1971) – escrita por Denver com Bill e Taffy Danoff. Tornou-se o hino de facto da Virgínia Ocidental, embora sem caráter oficial.
"Sunshine On My Shoulders" (1971) escrita por Denver com Dick Kniss e Mike Taylor
"Perhaps Love" (1981) – gravada com Plácido Domingo

José Vianna da Motta












Nasceu na ilha de São Tomé em 22 de abril de 1868. Morreu em 1 de junho de 1948, em Lisboa.
Formou-se no Conservatório Nacional e estudou em Berlim no Conservatório Scharwenka. Durante sua estada na Alemanha, foi discípulo de Liszt que, juntamente com Hans von Bullow, com quem colaborou, e Richard Wagner, integra a trilogia germânica à qual Viana da Mota sempre esteve ligado. Ao eclodir a Primeira Guerra, Viana da Mota abandona Berlim e fixa residência em Genebra, onde se torna professor de piano no Conservatório, voltando a Lisboa em 1917. Entre 1918 e 1938, assume a Direção do Conservatório Nacional, formando, em 1918, a Sociedade de Concertos de Lisboa, de que foi o primeiro diretor artístico. Esta sociedade, primeira no gênero em Portugal, permite ao público entrar em contato com as grandes figuras contemporâneas da música. Viana da Mota, defensor de um "ideal da música de arte" que se opõe à ópera italiana, dedicou-se exclusivamente à composição de música instrumental e música de câmara, tendo-se notabilizado por suas magníficas composições para piano. Motivado pela música tradicional portuguesa e pela história de Portugal, Viana da Mota compôs igualmente peças baseadas no folclore português, tendo impulsionado a escola nacionalista tradicional. A sinfonia para orquestra À Pátria (1894-1895) encontra a sua fonte de inspiração em Os Lusíadas. Como pianista, foi um dos mais notáveis em Portugal, revelando-se excepcional intérprete de Bach e Beethoven. Distinguiu-se ainda como autor de várias obras sobre música, como Vida de Liszt (1945) e Música e Músicos Alemães (1947).

Reconhecido internacionalmente como um dos grandes pianistas de seu tempo, em 1882 vai para Berlim, onde foi influenciado por Carl Schaeffer e Hans von Bülow. Em Weimar, em 1885, estudou com Liszt.
Wagner foi uma figura marcante na sua vida e obra. Foi reconhecido como um especialista na pessoa do compositor alemão.
Na Primeira Guerra Mundial teve que abandonar a Alemanha, indo para Genebra, onde ficou até 1917, quando regressa definitivamente a Portugal.
Teve um papel de importância capital nas mudanças operadas em Portugal nas primeiras décadas do século XX ao nível do ensino da música e do gosto musical, nomeadamente através da defesa da música instrumental de raiz germânica em detrimento da ópera italiana que então dominava o meio musical português.
Detentor de uma vasta cultura, combina na sua obra a estética do romantismo alemão e um estilo que tende para o nacionalismo, através da recriação de elementos do folclore. As suas obras para canto e piano são particularmente ilustrativas destas duas tendências repartindo-se entre o lied em língua alemã e a canção portuguesa (gênero em que teve um papel pioneiro), refletindo assim a ambivalência entre uma consciência européia de cariz cosmopolita e a necessidade de criar uma música portuguesa.
A música para piano e para canto e piano, fazem parte de suas obras primas. Musicou tanto textos portugueses como alemães.
Dedicou-se quase que exclusivamente à canção de câmara e à música instrumental, com linguagens estéticas e técnicas de Liszt, Wagner e do nacionalismo russo. Também se dedicou a um estilo estritamente nacional, influenciado pelo folclore português, como na Balada, Opus 16, escrita sobre dois temas populares: Tricana da Aldeia e Ave Maria.
Sua obra mais simbólica é a Sinfonia "A Pátria". Cada um de seus quatro andamentos é a expressão musical da obra de Camões, Os Lusíadas. É a primeira sinfonia bitemática escrita por um compositor português, depois de Domingos Bomtempo.


OBRA

Sinfonia "A Pátria" em Lá maior, Opus 13 (1895);
Invocação dos Lusíadas, música coral-sinfônica;
Sonata;
Fantasiestück;
Cantiga de Amor;
Valsa Caprichosa;
Balada Opus 16;
Diversos lieder e canções portuguesas.

Ernesto Júlio de Nazareth













"Seu jogo fluido, desconcertante e triste ajudou-me a compreender melhor a alma brasileira", disse sobre ele, o compositor francês Milhaud.
Desenvolveu um gênero peculiar, entre a valsa e o choro, que chamava de "tango brasileiro".
Sua obra sofreu a influência da música de Chopin, sem se afastar da espontaneidade e singeleza dos motivos populares em que se inspirou.
Somente uma pequena parte das mais de 200 peças para piano foi gravada.


OBRA

Polcas:
Apanhei-te Cavaquinho;
Ameno Resedá;
Você Bem Sabe;

Choros:
Janota;
Sustenta a Nota;

Valsas:
Confidências;
Coração que Sente;
Expansiva;
Turbilhão de Beijos;
Eponina;
Ouro sobre Azul;

Tangos brasileiros:
Odeon;
Bambino;
Brejeiro;
Duvidoso;
Fon-Fon;
Batuque;
Turuna;
Escovado.

Ernesto Júlio de Nazareth (Rio de Janeiro, 20 de março de 1863 — Jacarepaguá, 1º de Fevereiro de 1934) foi um pianista e compositor brasileiro, considerado um dos grandes nomes do "tango brasileiro" ou, simplesmente, choro.

"Seu jogo fluido, desconcertante e triste ajudou-me a compreender melhor a alma brasileira", disse o compositor francês Darius Milhaud sobre Ernesto Nazareth, carioca que fixou o "tango brasileiro" e outros gêneros musicais do Rio de Janeiro de seu tempo.

Estudou música com os professores Eduardo Madeira e Lucien Lambert. Intérprete constante de suas próprias composições, apresentava-se como "pianista em salas de cinema, bailes, reuniões e cerimônias sociais. De 1910 a 1913, e de 1917 a 1918, trabalhou na sala de espera do antigo Cinema Odeon (anterior ao da Cinelândia), onde muitas personalidades ilustres iam àquele estabelecimento apenas para ouvi-lo.

Deixou-nos cerca de 230 peças para piano. E suas obras mais conhecidas são: "Apanhei-te, cavaquinho!...", "Ameno Resedá" (polcas), "Confidências", "Coração que sente", "Expansiva", "Turbilhão de beijos" (valsas), "Bambino", "Brejeiro", "Odeon" e "Duvidoso" (tangos brasileiros).

Ernesto Nazareth ouviu os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares, e os levou para o piano, dando-lhes roupagem requintada. Sua obra se situa, assim, na fronteira do popular com o erudito, transitando à vontade pelas duas áreas. Em nada destoa se interpretada por um concertista, como Arthur Moreira Lima, ou um chorão como Jacob do Bandolim. O espírito do choro estará sempre presente, estilizado nas teclas do primeiro ou voltando às origens nas cordas do segundo. E é esse espírito, essa síntese da própria música de choro, que marca a série de seus quase cem tangos-brasileiros, à qual pertence "Odeon".

Em 1931, o compositor começou a manifestar problemas mentais que motivaram sua internação na colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. No dia 1 de fevereiro de 1934, Nazareth fugiu do manicômio e só foi encontrado três dias depois, morto por afogamento em uma cachoeira próxima.

César Guerra-Peixe












Nasceu em Petrópolis, Brasil, em 18 de março de 1914 e faleceu no Rio de Janeiro em 26 de novembro de 1993.
Em 1934 foi para o Rio, onde realizou estudos de composição, orquestração, contraponto, fuga, técnica dodecafônica, musica serial, harmonia acústica e estética da música.
Com o Tributo a Portinari, confirma seu incomparável domínio de orquestração.
Em 1941 foi ao Recife com o objetivo de conhecer as diversas manifestações do folclore nordestino. Sua música ganhou uma nova dimensão a partir do estudo de ritmos nordestinos como o maracatu, coco, xangô e frevo.
Suas peças eram, até então, compostas dentro do modelo clássico com melodia brasileira, sendo a Suíte Infantil nº 1 a expressão maior desse período.
Em 1944, entra em contato com o dodecafonismo. Sua primeira composição, Sonatina para flauta e clarinete, foi intencionalmente antinacionalista.
Depois de compor Música nº 1, uma obra em que todas as características dodecafônicas se realizam alheias aos valores musicais brasileiros, suas obras seguintes acentuaram a intenção de nacionalizar os 12 sons. A peça Trio de Cordas foi um marco na pesquisa da dodecafonia, no sentido de conferir-lhe tons nacionais.
Nos anos 70, estruturou em forma de cantata popular os afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Compôs trilhas para os filmes Terra é Sempre Terra e O Canto do Mar. Também fez arranjos sinfônicos para músicas de Chico Buarque, Luiz Gonzaga e Tom Jobim.

César Guerra-Peixe,filho de imigrantes portugueses de origem cigana, nasceu em Petrópolis no dia 18 de março de 1914. Aos 9 anos já tocava violão, bandolim, violino e piano. Viajava muito com a família pelo interior do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, assistindo freqüentemente a grupos folclóricos, o que marcou muito sua infância. Estudou violino com o professor Gao Omacht, na Escola de Música Santa Cecília, e teve aulas particulares de violino e piano com Paulina d’Ambrósio. Com apenas cinco anos de estudo, obteve a medalha de ouro oferecida pela Associação Petropolitana de Letras. Após prestar concurso para ingressar na Escola Nacional de Música, obtendo o primeiro lugar, Guerra Peixe transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde, para sobreviver, passou a trabalhar como músico em orquestras de salão que tocavam em confeitarias e bares, além de integrar um trio alemão que se apresentava na Taberna da Glória. Na Escola de Música, fez os cursos de harmonia elementar, com Arnaud Gouveia, e de conjunto de câmara, com Orlando Frederico. Nesta época, começou a trabalhar como arranjador para alguns cantores e gravadoras. Depois de ler Ensaio sobre a Música Brasileira, de Mário de Andrade, Guerra Peixe mudou seu conceito de composição. "Depois de ter lido Mário, comecei a compor com mais consciência...". Em 1943, ingressou no Conservatório do Rio de Janeiro, para se aperfeiçoar em contraponto, fuga e composição, tornando-se o primeiro aluno a concluir o curso de composição do Conservatório.

Em 1944, terminado o curso, Guerra Peixe, ansioso por conhecer as novidades no campo da música, entrou em contato com o professor Koellreutter, que trouxe para o Brasil o dodecafonismo, a técnica dos 12 sons criada por Schöenberg. Suas peças eram, até então, compostas dentro do modelo clássico com melodia brasileira, sendo a Suíte infantil n.º 1 para piano a expressão maior desse período. Na primeira fase da concepção dodecafônica, sua primeira composição, Sonatina para flauta e clarinete, foi intencionalmente antinacionalista. Compôs também a obra Noneto, interpretada por Hermann Scherchen em diversos centros europeus. Nessa época, participava do grupo Música Viva, com Cláudio Santoro, Edino Krieger e Eunice Katunda.
Depois de compor uma obra em que todas as características dodecafônicas se realizam alheias aos valores musicais brasileiros, Música n.º 1 para piano e solo, suas obras seguintes acentuaram a intenção de nacionalizar os 12 sons, como a Sinfonia n.º 1 para pequena orquestra, executada pela BBC de Londres, o 1º quarteto de cordas, as Miniaturas para piano. A peça Trio de Cordas foi um marco na pesquisa da dodecafonia, no sentido de conferir-lhe tons nacionais. Composta em 1945, nota-se, no segundo movimento (andante), um desprendimento no manejo da técnica dos doze sons. A fase dodecafônica encerrou-se em 1949 com a Suíte para flauta e clarinete.

Em junho de 1941, Guerra Peixe decidiu ir ao Recife com o objetivo de conhecer as diversas manifestações do folclore nordestino. Voltou depois ao Rio de Janeiro, mas por pouco tempo. Insatisfeito com seus conhecimentos folclóricos, firmou um contrato de trabalho com uma emissora da capital pernambucana, a fim de poder estudar a fundo o folclore, tornando-se um "sulista nordestinizado", como o descreveu Gilberto Freyre. Guerra Peixe passou a conhecer o folclore brasileiro como poucos, ganhando sua música uma nova dimensão a partir do estudo de ritmos nordestinos como o maracatu, coco, xangô, frevo. O compositor descobriu que os passos do frevo foram trazidos por ciganos de origem eslava e espanhola, e não por negros africanos, como se pensava até então.

" Durante 3 anos me meti nos xangôs, maracatus, viajei para o interior, recolhi músicas de rezas para defunto, da banda de pífanos..."

Publicou em 1955, como resultado de suas pesquisas, o trabalho Maracatus do Recife. Em 1960 compôs a sinfonia Brasília, conhecida como a obra mais importante de sua fase nacionalista.

Guerra Peixe compôs trilhas para os filmes Terra é sempre terra e O canto do mar, sendo premiado em 1953 como melhor autor de música de cinema.

Também realizou trabalhos no campo da música popular brasileira, fazendo arranjos sinfônicos para músicas de Chico Buarque, Luiz Gonzaga e Tom Jobim.

Integrou a Orquestra Sinfônica Nacional como violonista e dedicou-se à carreira de professor, dando aulas de composição na Escola de Música Villa-Lobos, e de orquestração e composição, na Universidade Federal de Minas Gerais.

Na sua fase de maturidade artística, compôs Tributo a Portinari, confirmando seu incomparável domínio de orquestração. Poucos compositores conseguiram, como ele, atingir uma versatilidade e uma admirável concisão de linguagem, buscando na simplicidade a sua arma mais eficaz.


OBRA

Suíte Infantil nº 1, para piano;
Retirada da Laguna, para orquestra;
Trítico de Portinari, para orquestra;
Maracatus do Recife (1955);
Brasília (1960), sinfonia, a obra mais importante de sua fase nacionalista.

Obras dodecafônicas:
Sonatina, para flauta e clarinete, antinacionalista;
Noneto;
Música nº 1, para piano e solo;
Sinfonia nº 1, para pequena orquestra;
Quarteto de Cordas nº 1;
Miniaturas, para piano;
Trio de Cordas (1945);
Suíte, para flauta e clarinete (1949).
Roda de Amigos.

Francisca Edwiges Neves Gonzaga












Chiquinha Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro em 17 de outubro de 1847. Morreu em 28 de fevereiro de 1935, na mesma cidade.
Foi uma das maiores expressões da musicalidade brasileira do final do século XIX ao início do XX.
Recebeu sólida formação de pianista e regente. Com sua numerosa e variada obra musical, contribuiu para fixar o cancioneiro popular brasileiro com maxixes, modinhas e o nascente samba urbano. Aproximou a música erudita da popular e foi uma das primeiras a introduzir o violão nos salões cariocas.
Iniciou a carreira como compositora de polcas, muito apreciadas na época. Seu primeiro sucesso foi a polca Atraente. Depois de várias tentativas, conseguiu ser aceita como compositora teatral, estreando com a música da opereta A Corte na Roça. Seguiu-se uma extensa obra musical para revistas, comédias e operetas.
O Corta Jaca, da peça Zizinha Maxixe, foi estilizado por Darius Milhaud, na sinfonia Le Boeuf sur le Toit.
Sua marcha-rancho Abre Alas foi a primeira marcha carnavalesca e tornou-se o hino do carnaval carioca.
Participou ativamente na luta pelo direito autoral (fundou a Sociedade Brasileira dos Autores Teatrais) e na campanha abolicionista. Por suas atitudes revolucionárias, foi alvo dos preconceituosos da época.

Filha de um general do Exército Imperial e de uma mãe humilde e mulata, Chiquinha Gonzaga foi educada numa família de pretensões aristocráticas (seu padrinho era o Duque de Caxias). Fez seus estudos normais com o Cônego Trindade e musicais com o Maestro Lobo. Desde cedo freqüentava rodas de lundu, umbigada e outras músicas populares típicas dos escravos.

Aos 16 anos, por imposição da família, casou-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, oficial da Marinha Imperial. Não suportando a reclusão do navio onde o marido servia e as ordens para que não se envolvesse com a música, Chiquinha separou-se.

Após a separação, envolveu-se com o engenheiro João Batista e passou a viver como musicista independente, tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Deu aulas de piano e obteve grande sucesso, tornando-se também compositora de polcas, valsas, tangos e cançonetas. Ao mesmo tempo, uniu-se a um grupo de músicos de choro, que incluía ainda o compositor Joaquim Antônio da Silva Calado, apresentando-se em festas.


Chiquinha Gonzaga, aos 78 anosA necessidade de adaptar o som do piano ao gosto popular valeu a Chiquinha Gonzaga a glória de se tornar a primeira compositora popular do Brasil. O sucesso começou em 1877, com a polca Atraente. Em 1897, tornou-se conhecida sua versão estilizada do "Corta-Jaca", sob a forma de tango, intitulada Gaúcho. Dois anos depois, compôs a marcha Ó Abre Alas, a primeira música escrita para o carnaval de que se tem notícia, para o cordão Rosa de Ouro, do bairro carioca do Andaraí.

A partir da repercussão de sua primeira composição impressa, resolveu lançar-se no teatro de variedades e revista. Estreou compondo a trilha da opereta de costumes "A Corte na Roça", de 1885. Em 1911, estréia seu maior sucesso no teatro: a opereta Forrobodó, que chegou a 1500 apresentações seguidas após a estréia - até hoje o maior desempenho de uma peça deste gênero no Brasil. Em 1934, aos 87 anos, escreveu a partitura da opereta "Maria". Foi criadora da célebre partitura da opereta "A Jurity", de Viriato Correia.

Ao todo, compôs músicas para 77 peças teatrais, tendo sido autora de cerca de duas mil composições.

Chiquinha participou ainda, ativamente, da campanha abolicionista e foi fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.

Chiquinha Gonzaga já foi retratada como personagem no cinema e na televisão, dirigida por Jayme Monjardim e interpretada por Regina Duarte e Gabriela Duarte, na minissérie Chiquinha Gonzaga (1999), na TV Globo, e por Bete Mendes, no filme "Brasília 18%" (2006), dirigido por Nelson Pereira dos Santos.


OBRA

Atraente (1877), polca;
Abre Alas (1899), marcha;

Para revistas, comédias e operetas:
A Corte na Roça (1885), opereta;
A Filha do Guedes (1885);
Abacaxi (1893);
Zizinha Maxixe (1895), com o maxixe Corta Jaca;
Forrobodó (1911);
Sertaneja, de Viriato Correia, do libreto Viagem ao Parnaso, de Artur Azevedo
Juriti (1919).

Johannes Brahms












Nasceu em em 7 de maio de 1833, em Hamburgo, Alemanha. Faleceu em Viena, Áustria, em 3 de abril de 1897.
Na mocidade foi romântico, mas poucas obras românticas subsistem porque Brahms tinha o hábito de destruir os originais que não resistiam à sua severa autocrítica. Calcula-se que só possuímos a metade daquilo que escreveu.
Em sua segunda fase, decididamente não-romântica, seguiu, como modelo, o Beethoven da segunda fase. Música instrumental absoluta, evitando inspirações e alusões poético-literárias. É a música do classicismo vienense ressurgindo em plena metade do século XIX, embora diferente, pelo espírito sombrio de Brahms. É uma sucessão de obras-primas.
A última fase de Brahms caracteriza-se por efusões rapsódicas, o emprego de recursos pré-clássicos e formas de Bach.
Ele apenas não escreveu óperas.
Sua linguagem musical é original, específica. Sua música é caracterizada pela fusão do lied melódico e da polifonia instrumental, através de uma rigorosa construção arquitetônica, conforme os princípios de Haydn, Mozart e Beethoven. Não tolera a improvisação nem os isoláveis "trechos brilhantes". A emoção profunda, sim, mas em forma estrita.
Esse "formalismo" dificulta o acesso à sua música para todos os que só costumam ouvir com o coração. Para os ouvintes não-alemães há mais uma dificuldade: o germanismo muito mais acentuado que o do nacionalista Wagner. Sempre se interessou pelo folclore musical. Esse germanismo dificultou, durante muito tempo, a difusão de sua música no estrangeiro.
Na Alemanha, o wagnerianismo vitorioso o hostilizou de todas as maneiras. Mas enfim, tanto a Áustria como a Alemanha acabaram por se render a Brahms.


No dia 7 de maio de 1833, em Hamburgo, nasceu Johannes Brahms. Seu pai, Johan Jacob, era contrabaixista e ganhava a vida tocando nos bares e nas tavernas da cidade portuária. Logo ele percebeu os dotes incomuns do filho e quando este completava 7 anos, contratou o excelente professor Otto Cossel para dar-lhe aulas de piano. Aos 10 anos, fez seu primeiro concerto público, interpretando Mozart e Beethoven. Também aos 10 anos, frequentava tabernas com seu pai e tocava lá durante parte da noite.

Não tardou em receber um convite para tocar nas cervejarias da noite hamburguesa, ao lado de seu pai. Enquanto trabalhava como músico profissional, Johannes tinha aulas com Eduard Marxsen, regente da Filarmônica de Hamburgo e compositor. Foi Marxsen quem lhe deu as primeiras noções de composição, para sua grande alegria.

Na noite, Brahms conhece Eduard Reményi, violinista húngaro que havia se refugiado em Hamburgo. Combinam um torneio pela Alemanha. Foi um sucesso, mas por causa dos excessivos malabarismos de Reményi. Johannes não fica muito contente com esta postura, mas usufrui a viagem - acaba conhecendo Joseph Joachim, famoso violinista, que se tornaria um de seus maiores amigos, Liszt e, principalmente, os Schumann.

Em sua casa em Düsseldorf, no ano de 1853, Robert e Clara Schumann o receberam como gênio. Robert logo tratou de recomendar as obras de Brahms aos seus editores e escreveu um famoso artigo na Nova Gazeta Musical, entitulado Novos Caminhos, onde era chamado de "jovem águia" e de "Eleito". Quanto à Clara, existem muitas hipóteses de que os dois teriam tido um relacionamento amoroso, mas nenhuma prova - ambos destruíram cartas e outros documentos que poderiam afirmar isso. Restou apenas a dúvida.

Brahms ficou alguns anos perambulando entre as cidades da Alemanha, "fixando-se" em duas residências - a de Joachim em Hannover e a de Schumann em Düsseldorf. Esta vida de errante haveria de terminar em 1856, com a trágica morte de Schumann. Foi quando conseguiu o emprego de mestre de capela do pequeno principado de Lippe-Detmold.

Em 1860, comete um grande erro: assina, junto com Joachim e outros dois músicos, um manifesto contra a chamada escola neo-alemã, de Liszt e Wagner, e sua "música do futuro". Embora Brahms nunca fosse afeito a polêmicas, acabou entrando nessa, o que lhe valeu a pecha de reacionário, derrubada apenas no nosso século pelo famoso ensaio de Schoenberg, Brahms, o Progressista.

Então, três anos mais tarde, resolve morar em Viena. Seu primeiro emprego na capital austríaca foi como diretor da Singakademie, onde regia o coro e elaborava os programas. Apesar do relativo sucesso que obteve, pediu demissão em um ano, para poder dedicar-se à composição. A partir daí, sempre conseguiu sustentar-se apenas com a edição de suas obras e com seus concertos e recitais.

Em Viena, conseguiu o apoio e admiração do importante crítico Eduard Hanslick (mais um Eduard em sua vida!), mas isso não era suficiente para garantir-lhe fama. Foi só a partir da estréia do Réquiem Alemão, em 1868, que Brahms começou a ser reconhecido como grande compositor. O reflexo disso é que, em 1872, foi convidado para dirigir a Sociedade dos Amigos da Música, a mais célebre instituição musical vienense. Ficaria lá até 1875.

Em 1876, um fato marcante: estréia sua Primeira Sinfonia, ansiosamente aguardada. Foi um grande sucesso e Brahms ficou marcado como sucessor de Beethoven - o maestro Hans von Bülow até apelidou a sinfonia de Décima.

Como alguém já observou, a vida de Brahms vai-se ralentando em razão contrária de sua produção. Os anos que se seguem são tranquilos, marcados pela solidão (manteve-se solteiro), pelas estréias de suas obras, pelas longas temporadas de verão e pelas viagens (principalmente à Itália).

Em 1890, após concluir o Quinteto de Cordas op. 111, decide parar de compor e até prepara um testamento. Mas não ficaria muito tempo longe da atividade; no ano seguinte, encontra-se com o clarinetista Richard Mülhfeld, e, encantado com o instrumento, escreve inúmeras obras de câmara para clarinete.

Sua última obra publicada foi o ciclo Quatro Canções Sérias, onde praticamente despede-se da vida. Ele deu a coletânea a si mesmo de presente no aniversário de 1896. Johannes Brahms viria a morrer um ano depois, em 3 de Abril de 1897.

Brahms dedicou grande parte de sua obra ao piano, principalmente na juventude e na velhice. As obras juvenis, como as três sonatas (em Fá Sustenido Maior, Dó Maior e Fá Menor), são vigorosas e apaixonadas, superabundantes em termos temáticos.

Resolvidos os desafios da sonata, Brahms entrou no gênero em que se revelaria um mestre: a variação. O primeiro conjunto publicado foi a das Dezesseis Variações sobre um Tema de Schumann, escritas em 1854, onde já demonstra seu domínio técnico. Mas foi com as 25 Variações e Fuga sobre um Tema de Handel que Brahms atingiu o máximo no campo. Outras obras-primas são os dois grupos de Variações sobre um Tema de Paganini, de dificílima execução, e as Variações sobre um Tema de Haydn, para dois pianos, que ficariam célebres em sua versão orquestral.

No campo das formas mais livres, destacam-se na produção pianística de Brahms as Baladas op. 10, da juventude, os Intermezzos op. 117 e as Klavierstücke op. 118 e 119, da velhice.

Música de câmara
Este foi o gênero brahmsiniano por excelência, tendo exemplares em todas suas quatro fases. Entre as primeiras, destacam-se o ardente Trio op. 8, que seria revisado 35 anos mais tarde, o impressionante Sexteto de Cordas no. 1 e o exuberante Quarteto para Piano op. 25 - o último seria orquestrado por Schoenberg, que queria demonstrar as potencialidades sinfônicas da obra.

Mais maduros, os dois Quartetos de Cordas op. 51 demonstram a capacidade de síntese e concentração que viria a caracterizar a maturidade artística de Brahms. O terceiro quarteto, opus 67, seria menos tenso. Composto já no final da vida, o Quinteto de Cordas op. 111, considerado perfeito pelo compositor, é mais vigoroso e alegre.

Este Opus 111 levou Brahms a ensaiar uma aposentadoria, mas ela não veio. Ainda comporia mais quatro obras camerísticas, todas dedicadas ao clarinete. Destaque para o quinteto e para as duas sonatas compostas para o instrumento, suas últimas peças no gênero.

No campo da sonata de câmara, Brahms compôs três grandes sonatas para violino e piano (a primeira é a mais conhecida) e duas sonatas para violoncelo e piano.

Música vocal
Brahms foi um grande compositor de canções. Numericamente, os lieder formam a maior parte da obra brahmsiniana. Entre os ciclos mais conhecidos encontram-se Romanzen aus Magelone e as Quatro Canções Sérias, este último sua obra derradeira.

Na música coral de Brahms, destacam-se o Réquiem Alemão, talvez sua obra mais famosa, que o consagrou definitivamente, a Canção do Destino e a Rapsódia para Contralto, magnífica peça que encantou até Hugo Wolf, habitual crítico

A última obra orquestral de Brahms é o Concerto Duplo, para Violino e Violoncelo. É uma de suas obras mais apaixonantes. O diálogo entre os solistas no movimento lento é um dos pontos altos de toda a produção brahmsiniana, e vale como um resumo de sua obra: os mais complexos e contraditórios sentimentos são aqui pintados em delicados meios-tons.

Como bem disse Romain Goldron, "nada é deixado ao acaso nessas páginas onde reinam as penumbras, os meios-tons, os mistérios da floresta, na qual, a todo instante, parece que vamos nos perder".












OBRA

Da primeira fase:
Sonata para piano em Fá menor, Opus 5 (1853);

Da segunda fase:
Variações e Fuga Sobre um Tema de Händel, Opus 24, sua obra prima para piano;
Variações Sobre um Tema de Haydn, Opus 56 (1873), para dois pianos;
Sinfonia nº 1, Opus 68 (1877);
Sinfonia nº 3, Opus 90 (1883);
Sinfonia nº 4, Opus 98 (1885);
Concerto Duplo, Opus 102, para violino, violoncelo e orquestra (1887);
Inúmeros lieder;

Da terceira fase:
a) no estilo rapsódico:
Três Intermezzi, Opus 117 (1892);
Sechs Stuecke (Seis Peças), Opus 118 (1893);
b) no estilo "arcaico":
Sinfonia nº 4, Opus 98 (1885);
c) no estilo arcaico e rapsódico:
Quinteto para clarineta, Opus 115 (1891);

Da paixão pelo folclore germânico, destacamos:
Danças Húngaras;
Sonata para violino nº 1, Opus 78;
Muitos lieder.

Charles-François Gounod












Nasceu em 17 de junho de 1818 em Paris. Morreu em Saint-Cloud, perto de Paris, em 18 de outubro de 1893.
O ressurgimento musical francês do século XIX teve seu principal artífice em Gounod, famoso pelas óperas e pela música religiosa, nas quais se manteve afastado do gosto italiano em voga.
Buscou revitalizar o gosto musical francês frente à moda italiana. Dotado de forte senso melódico, tendeu, porém, para o sentimentalismo.
A famosa Ave Maria (ou Meditação Sobre um Tema de Bach) é baseada no Prelúdio em Dó maior, do Cravo bem Temperado, livro I, de Bach.


OBRA

As óperas:
Faust (1859), obra que lhe deu fama;
Mireille (1864);
Romeu e Julieta (1867);

Música religiosa:
La Rédemption (A Redenção, 1822), oratório;
Mors et Vita (Morte e Vida, 1855), oratório;
Mess Solennele à Sainte-Cécile (Missa Solene para Santa Cecília, 1855);
Missa à Memória de Joana d'Arc (1887);
Ave Maria, sua obra mais popular.

Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy












Nasceu em 3 de fevereiro de 1809 em Hamburgo, Alemanha. Morreu em Leipzig, em 4 de novembro de 1847.
Foi um dos maiores compositores românticos alemães, de alto nível cultural e moral.
Depois de ter sido o compositor mais festejado da época, sobretudo na Inglaterra, caiu em desprezo porque a crítica via nele um discípulo do classicismo com, apenas, feições externas de romantismo e devido, também, ao anti-semitismo dos wagnerianos. Durante o nazismo, suas obras foram banidas do repertório alemão.
Sua linguagem musical é inconfundivelmente pessoal. Um eclético.
Como regente, em 1829 ressuscitou o então esquecido Bach, regendo em Berlim a Paixão Segundo São Mateus. Resgatou também músicas de Handel, Haydn e Mozart.
Foi o primeiro maestro a dispensar a antiga tradição de interromper uma sinfonia entre seus movimentos, para apresentar canções e solos instrumentais; ele fazia questão de que as obras fossem executadas completas.


OBRA

Abertura Sonho de uma Noite de Verão (1816);
Abertura A Gruta de Fingal (As Hébridas), Opus 26 (1830);
Sinfonia nº 4 (Italiana), Opus 90 (1833);
Concerto para violino nº 2, Opus 64 (1844).
Algumas das suas mais conhecidas obras são a suíte Sonho de uma Noite de Verão (que inclui a famosa marcha nupcial), os dois concertos para piano e o concerto para violino, cerca de 100 Lieder, os oratórios São Paulo e Elijah entre outros. Seu pai era um rico banqueiro judeu, que convertido ao cristianismo, acrescentou Bartholdy ao seu apelido. Felix cresceu em Berlim, e começou a aprender um piano em uma idade precoce. Ele mostrou uma incrível capacidade musical precocemente, dando o seu primeiro concerto com nove anos, com treze publicou seu primeiro trabalho como compositor. Seus trabalhos incluem sinfonias, concertos, oratórios e musica de câmara. Após um longo período de denegração devido a mudança nos gostos musicais e do anti-semitismo no final do séc. XIX e início do sec. XX, sua originabilidade é agora reconhecida e re-avaliada, e agora está entre os mais populares compositores da Era Romantica.

Joseph-Maurice Ravel












Nasceu em 7 de março de 1875, em Ciboure, e morreu em 1937, em Paris, no dia 28 de dezembro.
Representou o caminho natural do nacionalismo neolatino para o neoclassicismo, através do impressionismo.
Embora o impressionismo de Debussy tenha sido seu ponto de partida, houve separação de caminhos. Enquanto Debussy, vago e poético, é influenciado por Mussorgsky e Chopin, Ravel, espirituoso e exato, sofre influência de Rimsky-Korsakov e Liszt.
No piano e na regência foi mestre.
Apesar de contemporâneo da belle époque, Ravel não a viveu, foi um solitário de instintos aristocráticos.
Os ritmos de danças sempre foram, desde os tempos de Lully, Couperin e Rameau, o recurso específico da música francesa para pôr em ordem o caos sonoro. Ravel também usou-o.
Um traço característico da música de Ravel, comparada com a de Debussy, é o dinamismo. A música de Debussy é essencialmente estática: seus pontos firmes são os acordes isolados. A de Ravel está em movimento perpétuo.
Ravel foi o último grande mestre clássico da música européia.
Começou a manifestar interesse pela música aos 7 anos. Desde então dedicou-se ao estudo do piano, mas só começou a frequentar o Conservatório de Paris aos 14. Posteriormente, em 1895, passou a estudar só e retornou ao Conservatório em 1898, quando estudou composição com Gabriel Fauré. Concorreu no Prix de Rome, mas não foi bem sucedido.

Foi influenciado significativamente por Debussy, mas também por compositores anteriores, como Mozart, Liszt e Strauss, mas logo encontrou seu próprio estilo, que ficou, porém, marcado pelo Impressionismo.

É mundialmente conhecido pelo seu Bolero, ainda hoje a obra musical francesa mais tocada no mundo. A composição foi encomendada pela bailarina Ida Rubistein e estrou na Ópera de Paris em 1928. Ravel descreveu seu Boléro como "uma obra para orquestra sem música". Para Ravel, esta música não existiria sem o acompanhamento dos bailarinos.

Faleceu das conseqüências de um acidente de táxi ocorrido em 1932. Durante o período que precedeu a sua morte, havia perdido parte da sua capacidade de compor devido às lesões cerebrais causadas pelo acidente. A sua inteligência sempre se manteve intacta mas o seu corpo já não respondia adequadamente tendo sofrido de graves problemas motores.



OBRA

Introdução e Allegro (1906);
Ma Mère l'Oye (Mamãe Gansa, 1908);
Pavane pour une Infante Défunte (1889);
Gaspard de la Nuit, suíte;
Valses Nobles et Sentimentales, suíte;
L'Heure Espagnole (1911), ópera;
Bolero (1928), música de balé;
Daphnis et Chloé (1912), balé;
Concerto para a Mão Esquerda (1931);
Concerto para piano em Sol.

SERGEI VASSILIEVITCH RACHMANINOV












O pianista e compositor russo Rachmaninov foi um dos maiores concertistas de sua época e o último expoente do Romantismo russo.

Iniciando seus estudos com Nikolai Zverev, formou-se aos 19 anos no conservatório de Moscou, logo despertando atenção com seu prelúdio em dó sustenido menor (1892).

O sentimento de insegurança do jovem Rachmaninov levava-o a constantes crises emocionais, a mais grave seguiu-se após o fracasso de sua sinfonia N. 2 (1897). Durante este período, o compositor procurou um psiquiatra, Nikolai Dahl, a quem retribuiu a reabilitação de sua autoconfiança, dedicando-lhe o concerto N.2 para piano e orquestra (1901), hoje sua obra mais popular.

Ao rebentar a revolução de 1905, Rachmaninov deixou o cargo de regente do Teatro Bolshoi e mudou-se com a família para Dresden, onde escreveu o poema sinfônico A Ilha dos Mortos (1909) e o concerto N.3 (1909), este escrito especialmente para sua primeira viagem aos EUA.

Retornando a Moscou, Rachmaninov definiu seu lugar na vida musical russa, ligando-se ao grupo de Tchaikovsky, Rubinstein e Taneyev. Após a revolução de 1917, transfere-se definitivamente para os EUA, onde nunca acostumou-se a morar, fixando-se em Nova York. Cessa quase completamente sua produção como compositor e dedica-se à carreira de concertista. Sua únicas obras importantes deste período são a Rapsódia sobre um tema de Paganini (1934) e a Sinfonia N.3 (1936).

Em 1942, atraído pela presença de atores e diretores russos que proliferavam em Hollywood, mudou-se para Beverly Hills. Mas já estava muito mal de saúde, minado pelo cancer. Devido ao seu estado, o compositor foi levado para Nova Orleans. Certamente ele sabia disso e quis, de alguma forma, estar mais perto de sua pátria: pediu uma enfermeira russa e um rádio que lhe permitisse ouvir música emitida de Moscou. Morreu em 1943, corroído pelo cancer e pela amargura de saber que a guerra assolava seu país.

Embora tenha sido quase toda escrita no século XX, a música de Rachmaninov ancora-se na tradição oitocentista e é classificada como Romântica.

Georg Friedrich Händel











Nasceu em Halle, na Alemanha, em 23 de fevereiro de 1685. Morreu em Londres em 20 de abril de 1759.
Representou a contribuição inglesa para a polifonia, embora fosse alemão de nascimento.
Virtuose do órgão e do cravo, alcançou o sucesso quando desenvolveu e começou a executar oratórios nas salas de concertos.
Considerado por Haydn, Mozart e Beethoven como o maior de todos os compositores, não deixava de ser, no entanto, um plagiário, pois adaptava ou recompunha obras de que gostava, de outros compositores e mesmo suas.
Embora fosse um cristão muito devotado, o barroco protestante inglês está presente na sua música litúrgica, especialmente na música coral.
Ele foi muito superior em suas obras vocais, um dos pricipais compositores de ópera do período barroco, embora seja mais conhecido como compositor de oratórios ingleses.
Seus 17 oratórios são a música mais grandiosa. Peças dramáticas em 3 atos, são como óperas de enredo bíblico, com alusões a fatos do Império Britânico, mas representadas sem encenação ou ação. Essa mistura de antigüidade clássica e atualidade política é tipicamente barroca, de um barroco protestante. Nessas obras predominam os coros, tradução para a linguagem vocal da nova polifonia instrumental do barroco.
Messias, o oratório mais popular de Handel, ao contrário dos outros oratórios, tem inspiração cristã e muito lirismo.


OBRA

Concerti Grossi, Opus 6 (1739);
Water Music (1717);
Music for the Royal Fireworks (1749);
Messias (1742), oratório.

A importância do tema, a profundidade da música, a riqueza de inspiração, a maestria da composição - fazem do Messias, esse oratório de mais de 200 anos, comprovadamente o Oratório mais interpretado em nossos dias.

Sobre o conhecido Halleluya - : aleluia, porque Deus, o Senhor, reina, Aleluia! O reino do mundo foi transformado no Reino do Senhor e de seu Cristo, e Ele reinará eternamente, Aleluia! Rei dos reis, Deus dos deuses, Ele reinará eternamente, Aleluia!

Este texto do Apocalipse de São João ecoa a todo momento, nas mais diversas ocasiões, cumprindo um destino quase sempre sozinho. Num momento em que na Inglaterra lutava-se pelo alijamento da ópera italiana, a dedicação de Handel aos textos bíblicos, num trabalho que deu origem a extensos oratórios, transformou-se num grande achado e aí reside, mais do que em quaisquer outros gêneros aos quais o grande compositor tenha dedicado boa parte de sua vida, a razão de sua continuidade e consagração. Além disso, além das belíssimas árias e trechos orquestrais, os corais fugatos ou os simples imitativos representam momentos muito altos dentro da arte vocal barroca. Dentre esses grandes corais, o Halleluyah tem recebido atenção especial, por sua empolgação, feliz ligação entre texto e música, e pela feliz interpretação de um trecho do Apocalipse.

Bezerra da Silva












Bezerra da Silva (Recife, Pernambuco, 23 de fevereiro de 1927 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 2005) foi um cantor, compositor e violonista brasileiro, considerado o embaixador dos morros e favelas. Cantou sobre os problemas sociais encontrados dentro das comunidades, se apresentando no limite da marginalidade e da indústria musical.
Nordestino, desde sua infância foi ligado à música e sempre "sentiu" que apresentava o dom de tocar, causando atritos com a família.

Seu pai, da Marinha Mercante, saiu de casa quando Bezerra era pequeno, vindo morar no Rio de Janeiro. Com isso, depois de ingressar e ser expulso da Marinha Mercante, descobriu o paradeiro do pai e veio atrás dele. Causando mais atritos com o pai, foi morar sozinho, no Morro do Cantagalo, trabalhando como pintor na construção civil. Juntamente, era intrumentista de percussão e logo entrou em um bloco carnavalesco, onde um dos componentes o levou para a Rádio Clube do Brasil, em 1950.

Durante sete anos viveu como mendigo nas ruas de Copacabana, onde tentou suicídio e foi "salvo" por um Santo da Umbanda, onde ele se tornou um praticante até ingressar numa Igreja Evangélica. A partir daí passou a atuar como compositor, instrumentista e cantor, gravando seu primeiro compacto em 1969 e o primeiro LP seis anos depois.

Inicialmente gravou músicas sem sucesso. Mas a partir da série Partido Alto Nota 10 começou a encontrar seu público. O repertório de seus discos passou a ser abastecido por autores anônimos (alguns usando codinomes para preservar a clandestinidade) e Bezerra notabilizou-se por um estilo Sambandido (ou Gangsta Samba), precursor mesmo do Gangsta Rap norte-americano. Antes do Hip Hop brasileiro, ele passou a transmitir do outro lado da trincheira da guerra civil não declarada: "Malandragem Dá um Tempo", "Seqüestraram Minha Sogra", "Defunto Cagüete", "Bicho Feroz", "Overdose de Cocada", "Malandro Não Vacila", "Meu Pirão Primeiro", "Lugar Macabro", "Piranha", "Pai Véio 171", "Candidato Caô Caô".

Em 1995 gravou pela Sony "Moreira da Silva, Bezerra da Silva e Dicró: Os Três Malandros In Concert", uma paródia ao show dos três tenores, Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras. O sambista virou livro em 1998, com "Bezerra da Silva - Produto do Morro", de Letícia Vianna.

Em 2001 converteu-se à fé evangélica através da Igreja Universal do Reino de Deus e em 2003 gravou o CD Caminho de Luz com músicas gospel. Em 2005, perto da morte, mas ainda demostrando plena atividade, participou de composições com Planet Hemp, O Rappa e outros nomes de prestígio da Música Popular Brasileira.

Morreu em 2005, aos 77 anos de idade, perto de completar 78, eternizando-se no mundo do samba.

Bezerra morreu na manhã de segunda-feira, dia 17 de Janeiro de 2005 aos 77 anos, depois de sofrer uma parada cardíaca. De acordo com o último boletim médico, a causa do óbito foi falência múltipla dos órgãos. O corpo de Bezerra foi velado no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. O sepultamento foi em uma terça-feira no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju.

Bezerra estava internado desde o dia 28 de outubro, no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital dos Servidores do Estado, Rio de Janeiro, com embolia pulmonar e pneumonia.

Jessé












O cantor e compositor Jessé Florentino Santos nasceu em Niterói e foi criado em Brasília. Mudou-se para São Paulo, e atuou como crooner em boates. Depois, integrou os grupos Corrente de Força e Placa Luminosa, animando bailes por todo o Brasil. Ainda nos anos 70, também chegou a gravar em inglês com o pseudônimo de Tony Stevens. Foi revelado ao grande público em 1980, no Festival MPB Shell da Rede Globo com a música "Porto Solidão" (Zeca Bahia/ Ginko), seu maior sucesso, ganhando prêmio de melhor intérprete. Em 83, ganhou o XII Festival da Canção Organização (ou Televisão Ibero-Americana) (OTI) realizado em Washington, com os prêmios de melhor intérprete, melhor canção e melhor arranjo para "Estrelas de Papel" (Jessé/ Elifas Andreato). De voz muito potente, no decorrer de sua carreira Jessé gravou 12 discos (como os álbuns duplos "O Sorriso ao Pé da Escada" e "Sobre Todas as Coisas") mas nunca conseguiu os louros da crítica especializada. Morreu aos 41 anos, em março de 1993 de traumatismo craniano sofrido num acidente de carro em Ourinhos (interior de SP), quando se dirigia para o Paraná para fazer um show.

Pixinguinha












Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha, (Rio de Janeiro, 23 de abril de 1897 — Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de 1973) foi um flautista, saxofonista, compositor, cantor, arranjador e regente brasileiro.

Pixinguinha é considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira, contribuiu diretamente para que o Choro encontrasse uma forma musical definitiva.

Em 1919, Pixinguinha formou o conjunto Oito Batutas, formado por Pixinguinha na flauta, João Pernambuco e Donga no violão, dentre outros músicos. Fez sucesso entre a elite carioca, tocando maxixes e choros e utilizando instrumentos até então só conhecidos nos subúrbios cariocas.

Quando compôs Carinhoso, entre 1916 e 1917 e Lamentos em 1928, que são considerados um dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz. Mas na verdade elas eram avançadas demais para a época. Além disso, Carinhoso na época não foi considerado choro e sim polca.

Outras composições, entre centenas, são Rosa, Vou vivendo, Lamentos, 1X0, Naquele tempo e Sofres porque Queres.

No dia 23 de abril comemora-se o Dia Nacional do Choro, trata-se de uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha. A data foi criada oficialmente em 4 de setembro de 2000, quando foi sancionada lei originada por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda e seus alunos da Escola de Choro Raphael Rabello.

Pixinguinha faleceu em uma igreja, na cidade do Rio de Janeiro, quando seria padrinho de um batizado.


Considerado um dos maiores gênios da música popular brasileira e mundial, Pixinguinha revolucionou a maneira de se fazer música no Brasil sob vários aspectos. Como compositor, arranjador e instrumentista, sua atuação foi decisiva nos rumos que a música brasileira tomou. O apelido "Pizindim" vem da infância, era como a avó africana o chamava, querendo dizer "menino bom". O pai era flautista amador, e foi pela flauta que Pixinguinha começou sua ligação mais séria com a música, depois de ter aprendido um pouco de cavaquinho. Logo começou a tocar em orquestras, choperias, peças musicais e a participar de gravações ao lado dos irmãos Henrique e Otávio (China), que tocavam violão. Rapidamente criou fama como flautista graças aos improvisos e floreados que tirava do instrumento, que causavam grande impressão no público quando aliados à sua pouca idade. Começou a compor os primeiro choros, polcas e valsas ainda na década de 10, formando seu próprio conjunto, o Grupo do Pixinguinha, que mais tarde se tornou o prestigiado Os Oito Batutas. Com os Batutas fez uma célebre excursão pela Europa no início dos anos 20, com o propósito de divulgar a música brasileira. Os conjuntos liderados por Pixinguinha tiveram grande importância na história da indústria fonográfica brasileira. A Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, que organizou em 1928 junto com o compositor e sambista Donga, participou de várias gravações para a Parlophon, numa época em que o sistema elétrico de gravação era uma grande novidade. Liderou também os Diabos do Céu, a Guarda Velha e a Orquestra Columbia de Pixinguinha. Nos anos 30 e 40 gravou como flautista e saxofonista (em dueto com o flautista Benedito Lacerda) diversas peças que se tornaram a base do repertório de choro, para solista e acompanhamento. Algumas delas são "Segura Ele", "Ainda Me Recordo", "1 x 0", "Proezas de Solon", "Naquele Tempo", "Abraçando Jacaré", "Os Oito Batutas", "As Proezas do Nolasco", "Sofres Porque Queres", gravadas mais tarde por intérpretes de vários instrumentos. Em 1940, indicado por Villa-Lobos, foi o responsável pela seleção dos músicos populares que participaram da célebre gravação para o maestro Leopold Stokowski, que divulgou a música brasileira nos Estados Unidos. Como arranjador, atividade que começou a exercer na orquestra da gravadora Victor em 1929, incorporou elementos brasileiros a um meio bastante influenciado por técnicas estrangeiras, mudando a maneira de se fazer orquestração e arranjo. Trocou de instrumento definitivamente pelo saxofone em 1946, o que, segundo alguns biógrafos, aconteceu porque Pixinguinha teria perdido a embocadura para a flauta devido a problemas com bebida. Mesmo assim não parou de compor nem mesmo quando teve o primeiro enfarte, em 1964, que o obrigou a permanecer 20 dias no hospital. Daí surgiram músicas com títulos "de ocasião", como "Fala Baixinho" Mais Quinze Dias", "No Elevador", "Mais Três Dias", "Vou pra Casa". Depois de sua morte, em 1973, uma série de homenagens em discos e shows foi produzida. A Prefeitura do Rio de Janeiro produziu também grandes eventos em 1988 e 1998, quando completaria 90 e 100 anos. Algumas músicas de Pixinguinha ganharam letra antes ou depois de sua morte, sendo a mais famosa "Carinhoso", composta em 1917, gravada pela primeira vez em 1928, de forma instrumental, e cuja letra João de Barro escreveu em 1937, para gravação de Orlando Silva. Outras que ganharam letras foram "Rosa" (Otávio de Souza), "Lamento" (Vinicius de Moraes) e "Isso É Que É Viver" (Hermínio Bello de Carvalho).